Há pouco tempo ouvi esta citação a respeito do lançamento do D&D 4e, apenas alguns anos após o 3.5. Isto me levantou algumas reflexões interessantes:
A Wizards of the Coast é uma empresa americana, inserida num mercado bem mais consumista do que o nosso (o eixo Estados Unidos – Canadá) e fica óbvio para mim que, ao lançar o D&D 4e, eles estejam pensando muito mais no mercado consumidor deles do que o público brasileiro.

No Brasil o poder aquisitivo é bem mais baixo e, considerando o perfil de jogadores de RPG (estudantes especialmente) é difícil que o consumo deste material atinja níveis suficientes para manter toda a tarefa de tradução, revisão e publicação de um livro.
O que não acontece na América do Norte, onde um estudante de segundo grau recebe US$ 20 por cortar a grama do vizinho, o suficiente para comprar seu livro de RPG favorito. No Brasil, este mesmo livro estará custando, pelos motivos citados acima, 3 vezes mais.
Há dois meses atrás realizei a aquisição (por pre-order) dos livros básicos da nova edição (em inglês)por, aproximadamente US$ 22 cada. É um valor razoável para livros encadernados com qualidade e com inúmeras ilustrações. No entanto, trazê-los ao Brasil me custará 130% a mais (impostos de importação e câmbio dólar/real), ou seja, estarei pagando R$ 150 + custo de envio.
A iniciativa da Wizards de disponibilizar gratuitamente o d20 System fez com que o RPG fosse difundido também nos países pouco favorecidos, onde o custo de publicação destes livros seria muito alto. Com isto, o mercado de RPG cresceu consideravelmente também no Brasil. Vale lembrar que, há alguns anos atrás, mal ouvíamos falar na Jambô, na Mantícora ou na Caladwin.
Na semana que vem, com o lançamento do o D&D 4e serão disponibilizadas também as regras em acesso gratuíto para os jogadores. Apesar disto, os livros básicos foram scaneados e pirateados na internet. Por isto vejo com pesar o mercado brasileiro de RPG tentando se erguer frente a esta iniciativa traiçoeira de seus próprios beneficiados.

Só uma correção: Livros são imunes ao imposto de importação, então vc paga a conversão para real, taxa de cartão de crédito por comprar em dólar e taxa de envio.
O grande problema é o custo do transporte, já que o dólar está barato. Mesmo assim, ao optar pelo transporte mais barato, sai por uns 15 dólares pela Amazon (se não me angano tem 3 tipos de envio internacional).
O grande negócio para o mercado por aqui é o que foi feito com o Mutants & Masterminds: encadernação simples (mas que não solte as páginas…) e capa mole. Mas duvido que a Wizards libere a licença nesses termos.
Correção da correção, Alexandre:
Os livros são imunes desde que seu valor não ultrapasse US$50 e não caracterize uma transação comercial, o que não é o caso da compra do Box set do D&D 4 na Amazon.
Fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/Aduana/rts.htm#Tributa%E7%E3o
Uma duvida que eu tenho quando se fala a respeito da tradução, a devir detentora dos direitos da WoTC no brasil, tambem tem sua loja, por assim dizer em Portugal, e lá a quantidade de livros traduzidos é bem maior que em nosso pais. A questão é a seguinte, agora com a unificação do portugues não sera mais facil a traduçao dos livros? Ja que no fim é tudo a DEVIR que traduz, nao importando que seja daqui ou de portugal?
Parabéns pelo blog! Na verdade os livros são imunes independentemente do valor por disposição constitucional (art. 150, IV, d). A regra dos 50 dólares vale para remessas entre pessoas físicas de qualquer outro produto. Já comprei inúmeras vezes pela Amazon e sempre excedendo o limite que mencionou e nunca foi cobrado qualquer imposto. Abraços
Não sei bem como é essa questão dos direitos, Ivo; mas acho que tem algo a ver com a região. Sei que a Devir Portugal e a Devir Espanha têm um relacionamento muito mais próximo.
Mas resumindo, a Devir no Brasil só depende dela mesma e acho que a sua sugestão seria útil para eles.
Eu espero que você esteja certo, Hansi; pois quando compramos nosso último livro aqui (um manual de Symfony – um framework para programação) fomos taxados também por este encargo. Se você estiver certo vou economizar uns 40 reais.
O limite de 50,00 é de pessoa física pra pessoa física, desde que chegue pelos Correios. Livros, jornais, periódicos e o papel utilizado para sua impressão estão imunes de impostos, conforme previsto na Constituição e acertadamente apontado pelo colega Hansi.
Maaaas, se tiver CD/DVD junto a coisa muda, ou se vier algum acessório que não seja de “papel”.
Ivo, a uniformização do português não vai deixar o português daqui igual ao de lá (Portugal). Por lá, “fila” vai continuar se chamando “bicha” huhuhuhu
Como disse bem Hansi e Draco e como eu falei no site da RedeRPG: podemos importar um quaquilhão de livros da 4a Edição, esgotar todo o estoque da Amazon e fechar um navio só para isso. No final, pagamento de imposto de importação será ZERO! Pelo menos enquanto nossa Constituição permanecer como está!
“Por isto vejo com pesar o mercado brasileiro de RPG tentando se erguer frente a esta iniciativa traiçoeira de seus próprios beneficiados.”
Me explica essa parte cara, realmente não entendi.