Há três semanas atrás, escrevi um post em que relatava minhas experiências ao planejar encontros para uma aventura que eu estava desenvolvendo. Alguns dos leitores deste blog ficaram preocupados (e interessados) pelo fato d’eu utilizar uma criatura única como encontro de nível 2, contra as regras do D&D 4e:

Bighi escreveu:
O livro dos mestres até mesmo cita que um monstro 7 níveis acima do grupo (como é seu caso), mesmo num encontro de baixo nível, é um combate onde eles vão acabar morrendo.
Ricardo Rodriguez escreveu:
Pela lógica, logo no primeiro encontro, 80% dos recursos do grupo se esgotariam (ou 80% dos jogadores).
A criatura que mencionei é uma múmia guardiã (um morto-vivo Bruto de 8° nível) que havia sido libertada de seu esquife a agora caminhava livre pelo bosque próximo a vila ao quais os personagens são residentes.
Os personagens compreendem: (i) uma maga humana com algumas boas magias de fogo; (ii) um ladino bastante esquivo; (iii) uma patrulheira com habilidade em arco; (iv) uma guerreira eladrin com talentos arcanos; e (v) um clérigo draconato com ódio a mortos-vivos.
O terreno, que era o ponto essencial deste combate, tratava-se de uma clareira no bosque na qual possui um monolito. Este monolito é um lugar mágico, que irradia energia Radiante caso seja ativado. Ao ativarem a magia no monolito, os personagens atraíram a atenção da múmia que veio a seu encalço. Sob a influência desta área a múmia não poderia usar seu poder de regeneração.
E foi com estas características que os personagens conseguiram vencê-la, com destaque para a Esfera Flamejante da maga, visto que as múmias são vulneráveis a fogo e um acerto crítico do clérigo ao Exconjurar Mortos-Vivos.
Este poder deixou a múmia imóvel por uma rodada, o que trouxe vantagens para o ladino que pôde desferir seu golpe furtivo. A guerreira flanqueou o monstro, fornecendo outros ataques furtivos ao ladino. Por fim, com dois ataques certeitos (um dos quais com o Hunter’s Quarry), a patrulheira destruiu a ameaça.
Está claro para mim que é possível que um grupo de nível inferior encontre uma ameaça sete níveis acima do seu e ainda assim sobreviva. É verdade que eu usei o monstro como uma criatura solo, e havia circunstâncias que os personagens poderiam usar a seu favor (o poder radiante do monolito); mas temos que considerar também que somente um dos personagens usou seu poder diário.
Mas houveram outras perdas também; o ladino e a guerreira foram atingidos durante o combate e ela está doente por efeito do toque da criatura. Mas isto já é assunto para outro post.

O que sei é que o DMG aconselha a não utilizar criaturas com mais do que 5 niveis acima dos PCs. O fator sorte (um acerto crítico) e o fator redução de poder (a fonte radiante) facilitam o desafio, mas o grupo poderia ter sido derrotado facilmente.
A questão de um monstro ser “solo” altera os PVs, capacidade de agir fora do turno normal e melhora os “saves”, mas não altera base de ataque, dano e CA.
Uma criatura de 7 niveis acima do grupo tem base de ataque suficiente para acertar quase todos os ataques, e um dano suficiente para tirar mais de 10% do HP de uma PC de nivel 8. Além disso, a CA é elevada (nesse caso nem tanto, pois era um Brute).
Muito interessante. Isso mostra que, com uma certa preparação, é possível usar um monstro bem mais forte que o grupo em um encontro sem matá-los.
Apesar de nunca comentar sempre leio o tomo e todos estão de parabéns pelo trabalho. Depois de ler o post me surgiu uma dúvida: mesmo sendo undead o monstro recebe ataques furtivos do ladino?
Abraço, inté
Tanto ataques críticos quanto ataques furtivos podem ser executados em mortos-vivos, ou construtos, ou qualquer outra coisa. Essa é uma das mudanças na nova edição, Fê. Mais informações sobre mortos-vivos aqui: http://tomo4e.wordpress.com/2008/03/19/zombies-ate-my-neighbors/
Bighi e Galinskas, sempre posso contar com os comentários de vocês. Como puderam ver eu tinha toda uma preparação. Na verdade tinha até um plano de emergência para salvar os personagens se tudo mais falhasse, mas não foi necessário =)
Essa questão da mumia é muito interessante. Digo mais, se os jogadores possuirem criatividade como muitos que já jogaram em minha mesa, nem monolito seria necessário. A mente humana é definitivamente divertida.
Phil Souza lembre-se que o mestre TAMBÉM dispõe dessa criatividade…
Mas eu gostei Jefferson, foi uma boa solução o monolito e isso prova que monstros poderosos são melhores aproveitados acompanhados (Mobs?), se a Múmia tivesse uns 2 ou 3 Zumbis em sua companhia o resultado seria mais complicado.
[...] o grupo de personagens (que eu já mencionei antes, no post sobre Desafios muito Poderosos) [...]
[...] enfrentei um grande dilema: o grupo de personagens (que eu já mencionei antes, no post sobre Desafios muito Poderosos) estava a alguns passos do encontro mais difícil da aventura, a maior parte deles tiveram [...]