Uma das boas práticas de jogo citada no Livro do Mestre que eu já adoto há muito tempo é a ausência de NPCs como protagonistas da campanha; explico: os jogadores sentem-se inferiorizados quando aquele cavaleiro de 20° aparece e, com um só golpe, destrói todo o exército orc que os personagens esforçaram-se tanto por conter.
Também é chato quando, em meio a um combate ou outra situação de tensão o Mestre adquire a responsabilidade por basicamente todas as rolagens. Além de todos os monstros inimigos, ele ainda rola pelo NPC aliado que, muitas vezes por seu nível ou apreciação do Mestre, torna-se o herói da aventura. Dessa forma, o uso de NPCs junto aos jogadores deve ser evitado.
Mas até que ponto?
No D&D 4e, temos quatro diferentes funções de personagem: agressor, controlador, defensor e líder; cada qual com suas capacidades para tornar o grupo equilibrado. Caso um dos jogadores falte ou nenhum deles abilite-se por jogar numa determinada função, o que deve fazer o Mestre?
Certa vez jogávamos uma aventura onde os personagens deveriam livrar um bosque encantado da incursão de um grupo de orcs. Na segunda seção de jogo o personagem do clérigo estava ausente e, sendo o único líder apto, desfalcaria o grupo severamente. No primeiro encontro da seção, inseri um unicórnio cativo que, assim que libertado pelos jogadores passou a acompanhá-los pelo restante do dia.
Foi uma alternativa simples: o unicórnio é um escaramuçador (líder) de 7° nível – o mesmo que os jogadores – e possui uma aura que fornece bônus de +2 nas defesas dos personagens. Dessa forma a criatura fortaleceu os defensores no campo de batalha e, quando necessário utilizava o toque de seu chifre para permitir aos personagens curarem alguns pontos de vida.
É importante que o Mestre tenha a consciência de que esta criatura é um estepe, e sua atuação na aventura não deve ser mais efetiva que o personagem real: o unicórnio por exemplo, não tinha os poderes à distância e de exconjurar do clérigo, e no momento que estes foram necessários o grupo sentiu a ausência do jogador.
Se fosse o ladino do grupo a faltar, eu usaria um Sátiro Rake em seu lugar, e no caso do guerreiro eu escolheria um Cavaleiro Eladrin (ambos de 7° nível). Para escolher um substituto apto, basta conferir a listagem de criaturas por nível e função no final do Livro dos Monstros:
- Espreitadores e escaramuçadores podem ser usados como Agressores;
- Soldados e brutos como Defensores; e
- Líderes e controladores têm papéis semelhantes entre os monstros.
Caso a presença do NPC seja necessária por muito tempo (mais do que uma única seção de jogo), opte por criaturas do tipo Elite ou acrescente um dos templates existentes no Livro do Mestre (pg. 176) para que o substituto possa suportar mais combates. Temos que considerar afinal que a maioria dos monstros não possui pulsos de cura e outras capacidades regenerativas.
É importante que os jogadores tenham a opção de recusar a ajuda extra; afinal eles são os protagonistas da aventura. Dessa forma eles terão encontros mais difíceis e serão recompensados com pontos de experiência extras.

Da primeira vez que eu mestrei na minha vida, eu cometi o erro de colocar um NPC no grupo para guiar os jogadores. Ele agia como um personagem normal, servia para eu dar informações e mostrar aos jogadores algumas opções que eles tinham. Não deu muito certo.
Posteriormente, eu aprendi que o segredo para NPCs que acompanhem a party é: eles não são jogadores. Eles são NPCs. Eles não deve resolver ou ajudar (significativamente) os jogadores a resolver os desafios e não deve tentar liderar o grupo ou dizer o que fazer. Embora possa parecer estranho colocar os PCs na liderança caso o NPC seja alguém importante, ele pode ser arrogante, confiar nos jogadores ou ser misterioso…
Além disso, raramente eu gosto de colocar NPCs que participem “de verdade” das lutas. O que acontece com os NPCs é decidido pelo mestre, sem rolar dados a não ser que envolva diretamente um dos PCs. No caso do jogador omisso, eu provavelmente manteria o personagem dele por uma questão de coerência, mas pediria a um jogador para controlá-lo além do seu personagem. Assim, eu possibilito que o personagem faça algo significativo sem parecer parcial, e tiro um peso das minhas costas.
Uma sugestão de matéria:
“O que fazer com um personagem jogador quando o dito cujo falta?”
Quando um jogador falta e não tem como o personagem desse jogador simplesmente sumir da aventura eu mesmo (ou algum outro jogador) controla o personagem em questão. Apenas uma vez usei um outro NPC (com ficha mais simples, bem mais simples) para substituir o clérigo porradeiro. Foi um razoável quebra-galho e não roubava a cena dos PCs.
Bem,
Jogadores que faltam é um grande problema.
Quando um jogador falta podemos fazer da seguinte forma:
1. Assumir que o personagem está ali, mas está calado e somente está andando com o grupo.
2. Sumir o personagem de alguma maneira (“Ele escorregou num buraco e sumiu”)
3. Usar ele como NPC
Eu particularmente não continuo a aventura quando algum jogador falta a sessão. Entretanto se for para jogar mesmo sem o jogador a minha escolha fica por conta de assumir que o personagem irá estar junto ao grupo, mas não fará nada de especial.
Abraços
Eu ainda perfiro usar a ficha do personagem como NPC, com a escolha de não dar o XP para o mesmo, por ter faltado à sessão.
Quando um jogador falta e estamos no meio de uma aventura eu custumava a fazer como o Shin e mantê-lo calado num canto, só realizando as habilidades básicas, mas atualmente tenho optado por passar a responsabilidade do PJ ausente para outro jogador (que fica controlando dois PJs), isso gera situações interessantes e engraçadas, com o jogador substituto tentando imitar as ações rotineiras do outro jogador.
Como somos amigos a muito tempo isso funciona muito bem, embora as vezes possa surgir um “atrito” entre jogadores (“porra vc gastou meu daily power!”), no fim todo mundo termina rindo e zoando.
[...] Apesar de todos os personagens possuírem uma capacidade de cura, mesmo que limitada, o líder é uma função muito importante; no entanto, várias classes possuem o líder como função secundária, como é o caso do Paladino, o Invocador e o Druida. Outra alternativa interessante para o Mestre é utilizar um NPC de suporte ao grupo, como eu já havia citado no post Personagens Ausentes e NPCs. [...]