Voltando a programação normal do Tomo4ᵉ após a ressaca do D&D Game Day, eu gostaria de apresentar uma regra caseira para uma reclamação constante de alguns jogadores da edição anterior: eles acham inverossímil personagens como o Guerreiro ou o Ladino possuírem proezas que possam ser usadas somente uma vez ao dia.
Apesar de considerar os poderes diários como parte do sistema atual de jogo, meu lado GURPS concorda com a afirmação destes jogadores e me fez pensar numa alternativa bastante interessante para jogos que exijam uma abordagem “um pouco” mais realista (eu diria cinematográfica).
1. Argumento
Este sistema serve muito bem para personagens marciais (especialmente após o lançamento do Martial Power): seus poderes por encontro podem ser tomados como golpes muito poderosos, que exigem concentração, foco e energia; e por seus poderes utilitários que apresentam opções muito interessantes para os personagens fora de combate (o ladino que o diga).
2. Regra 1: Poderes por Encontro
Os personagens marciais passam a ter usos de seus poderes de encontro; no primeiro nível ele possui somente 1 (um) uso, no 3° nível ele aquire seu segundo uso, no 7° seu terceiro e finalmente no 11° nível seu quarto uso por encontro.
O personagem não precisa escolher um poder diferente para cada uso, ou seja, um guerreiro de 7° nível poderia usar seu poder Griffon’s Wrath (ataque de guerreiro 7) três vezes durante o mesmo encontro, desta forma exaurindo todos os usos de poderes por encontro que possua. Não é possível, no entanto, usar o mesmo poder de ataque duas vezes no mesmo turno.
Esta regra tem o intuito de equilibrar os personagens marciais frente aos divinos e arcanos, que continuariam tendo seus impressionantes poderes diários.
3. Regra 2: Poderes Diários
O personagem marcial não possui mais poderes diários. Ao invés disto, a cada nível que deva receber um poder diário, ele adquire um Poder Utilitário (por encontro ou sem limite) de nível imediatamente acima.
Dessa forma um ladino de 1° nível já teria acesso ao poder Fleeting Ghost (utilitário de ladino 2) e no 2° nível poderia aprender também Quick Fingers (outro utilitário de ladino 2) tornando-o um personagem muito mais versátil fora de combate e promovendo aventuras muito mais cinematográficas.
4. Conclusão e Testes
Apesar de parecer bastante vantajosa em alguns aspectos, acredito que as duas regras estão bastante balenceadas; e permitem sobretudo a criação de campanhas exclusivas para personagens marciais.
Ainda não tive a chance de testá-las em mesa, mas pretendo fazer isto logo e assim apresentar a opinião do mestre e jogadores a respeito desta adaptação.

Shin outra solução que acho viável é disponibilizar ao personagem utilizar um poder diário por encontro mas com -2 de penalidade cumulativa a cada uso antes de um descanço longo.
Desta forma o cara pode muito bem usar seu melhor diário quantas vezes quiser mas terá suas forças reduzidas a cada utilização de um poder diário, seja ele qual for. E o melhor desta solução é que ela é válida para qualquer classe/role.
Frederick, acho sua alternativa bastante interessante também… mas a minha idéia foi realmente remover esses ataques tão poderosos; afinal quem mata dragão com um único golpe são os magos, ou os clérigos com seus milagres; guerreiros, patrulheiros e afins são personagens que se esforçam muito para serem heróis.
PS: eu sou o Véxo!
- http://www.tomo4e.com.br/jefferson-jeferson/
Ops…falha minha…rsrs
Eu não vejo problema em um guerreiro que consegue um golpe certeiro no coração de um dragão(e matar dragão em um golpe na 4e não existe mesmo(só o Orcus faz isso huauhauhahu).
E outra é que acho que se os guerreiros e Rangers(grrrrrr! Em Dezembro quando sair o PH1 em PT-BR eu vou comprar o livro só para colocar uma etiqueta com a palavra Ranger*grifada* sobre cada lugar onde estiver escrito patrulheiro rsrs) se esforçam tanto eles deveriam ser recompensados com a chance de dar o golpe final no dragão também.
Eu ainda prefiro que as classes marciais tenham golpes diários e que fiquem no mesmo patamar que as classes com magias e poderes sobrenaturais. Esses poderes diários seriam como técnicas quase proibidas que gastam muito da energia do personagem (especialmente esses cujos efeitos continuam durante todo o encontro)
Sabe o que eu acho engraçado? Que um monte de classes de prestígio da 3ª Edição possuem poderes marciais (habilidades não-mágicas) com usos de vezes/dia, e ninguém reclamava.
Cara, o fato de vc só usar uma vez por dia é simplesmente porque aquele é o seu ataque principal, e geralmente é usado apenas em cenas dramáticas! Ou alguém já viu o Kenshin usar o golpe dos nove dragões mais de uma vez no mesmo episódio???
Inclusive praticantes de artes marciais que eu conheço já me disseram que há golpes tão difíceis de dominar, tão elaborados e perigosos que é melhor usar em última instância mesmo!
Valeu Daniel! Sabendo que existem golpes reais que pedem um uso tão limitado eu já fico mais que satisfeito. nem vou colocar a regra dos -2 pro ataque =D
Fico satisfeito em saber que boa parte da comunidade que joga D&D4e não estranha a mecânica dos poderes diários. Eu mesmo prefiro usá-la a distorcer o conceito do jogo.
Mas vez ou outra, testar novas regras torna o jogo interessante =)
Eu não vejo nada de errado com os poderes diários da maneira que são.
São técnicas que os personagens só usam em casos extremos e que exigem um esforço ou inspiração que eles não são capazes de reproduzir sem descansar adequadamente.
Eu acho que vocês estão esquecendo que de certa forma todos os personagens do D&D possuem uma forma de magia dentro de si. Mesmo os marciais, que teriam algo como ki. Essa é a mesma premissa do cenário Earthdawn, aliás muita gente (na verdade todos os poucos que conhecem esse jogo obscuro de FASA) falou que esse conceito foi roubado do Jogo da FASA. Ou seja faz sentido os poderes diários serem, bem, diários.
Aliás a FASA foi a primeira empresa a anunciar que trabalharia com a quarta edição adaptando o Cenário mesmo com a GSL antiga. “Infelizmente” (eu diria felizmente) como a Wizards anunciou que eles ficaram em stand by esperando as mudanças pra depois continuar os trabalhos
Henrique, sinto muito, mas ki é outra power source. Segundo o que o próprio livro diz, os personagens marciais obtém seus poderes do seu treinamento, não de nenhuma força mágica ou espiritual.
“Sabe o que eu acho engraçado? Que um monte de classes de prestígio da 3ª Edição possuem poderes marciais (habilidades não-mágicas) com usos de vezes/dia, e ninguém reclamava.”
Ponto importante. E havia ainda o Tome of Battle, elogiadíssimo, que trazia técnicas de combate que permitiam soltar fogo da espada e outras coisas que simplesmente não faziam sentido como simples treinamento marcial.
Eu pessoalmente não tenho problemas com poderes diários. Não necessariamente um combatente vai escolher “agora eu vou usar a técnica X” e pronto. A batalha é algo dinâmico, com pessoas movendo-se simultaneamente, atacando e bloqueando o tempo todo; as rodadas e jogadas de ataque são apenas uma abstração. Um guerreiro pode lutar a batalha inteira “preparando terreno” para conseguir um golpe final incrível ou pode agarrar a oportunidade única de usar sua técnica mais letal. O poder diário pode ser uma forma de interpretar aquele golpe heróico… Só porque mecanicamente o guerreiro só pode fazer isso uma vez por dia, não quer dizer que ingame seja uma técnica que ele “gasta” quando usa.