Tenho um grupo de jogo na sexta-feira a noite que, em virtude do cenário opressivo em que se encontram, não pôde contar com personagens arcanos; os aventureiros, todos oriundos do Livro do Jogador ,1 só podiam contar com os personagens marciais e divinos, e não há no livro outro controlador que não o Mago.
Neste clima de caça às bruxas o grupo é composto por dois agressores (um patrulheiro elfo e um ladino halfling), um líder (um clérigo) e dois defensores (dois paladinos). A ausência do controlador exigiu que o grupo se aperfeiçoasse para suprir esta necessidade, o que nos valeu uma certa experiência ao tratar de personagens/funções ausentes.

Apesar da importância de todas funções num grupo de jogo, a falta de uma dela não deve condenar o grupo todo, mas requer um cuidado e atenção especial de todos os membros.
Agressor Ausente
Esta é a opção mais remota, dada a quantidade de classes de agressores e a sua popularidade. A falta de agressores pode significar que o grupo causará uma quantidade menor de dano, especialmente contra monstros únicos, como as criaturas de elite e solo.
Como alternativa, podemos usar um controlador com poderes específicos contra um único alvo, assim um Mago poderia, com algum esforço, substituir um Bruxo ou Feiticeiro. O trabalho em grupo pode ser mais efetivo, no entanto: um líder pode fornecer ações adicionais aos defensores, incrementando consideravelmente a agressividade do grupo como um todo.
Controlador Ausente
Acredita-se que o controlador é a mais dispensável dentre as quatro funções, mas um personagem controlador é sempre desafiador, além de possuir rituais e vários poderes utilitários para as mais variadas funções.
É possível reduzir o impacto da falta de um controlador com um talento de multi-classe, ou mesmo utilizando uma classe que tenha aspectos dessa função, como o Vingador ou o Feiticeiro (que são agressores); por fim, o talento Conjurador de Rituais e a perícia apropiada pode fazer com que seu Clérigo ou Bardo assuma as responsabilidades do controlador nestes quesitos.
A falta de controladores torna o grupo mais vulnerável aos enxames, e torna o combate contra alguns brutos e soldados realmente difícil. O grupo que eu citei acima declara até hoje que o monstro mais difícil que já enfrentaram foi um “vexame de escaravéxos” – trocadilho infame.
Defensor Ausente
Um pouco mais difícil de suprir é a falta de um defensor, pois isto afeta diretamente outros membros do grupo, como os controladores e agressores que serão alvos mais fáceis. Pense que o objetivo principal do defensor é impedir ou restringir o acesso dos oponentes aos membros do grupo.
Sendo assim, você pode amenizar esta falta com poderes específicos para afastar ou imobilizar seus oponentes – tarefa esta que pode ser executada com maestria pelos controladores; além de munir o grupo com alguns personagens que possam chamar a atenção e tenham muitos pontos de vida, como os patrulheiros de duas armas e bárbaros.
Líder Ausente
Os personagens que mais sofrerão sem o apoio de um líder nato são os defensores, que tornarão-se alvos mais fáceis de seus oponentes, sendo possivelmente superados por eles; neste caso investir em pontos de vida não é uma idéia ruim. Além disto, o grupo precisa estar certo de possuir habilidades ofensivas e defensivas suficientes para não se deixar afetar pela ausência do líder.
Apesar de todos os personagens possuírem uma capacidade de cura, mesmo que limitada, o líder é uma função muito importante; no entanto, várias classes possuem o líder como função secundária, como é o caso do Paladino, o Invocador e o Druida. Outra alternativa interessante para o Mestre é utilizar um NPC de suporte ao grupo, como eu já havia citado no post Personagens Ausentes e NPCs.

O pior da falta de líder não é a falta de curas, e sim a falta de buffs. Curas quase todo mundo tem um poder ou item que permite ele usar um pulso de cura extra, mas bônus são bem mais complicados sem um líder por perto.