Sobre esta entrada:

Burrice ou Besteira

Bem,

A algum tempo atrás, eu escrevi no Twitter a seguinte frase “Eu acho que qualquer resistência a 4e é “besteira” ou “burrice”, afinal teve um monte de gente fazendo ela e pensando nela.

Não demorou muito para pipocar tweets de pessoas achando que eu as estava chamando de “Burras” ou “Bestas”, então tive que explicar, e irei agora explicar novamente, e deixar aqui um pouco mais que um ponto de vista e sim uma opinião pessoal a respeito de alguns assuntos que estão circulando a Internet.

Então irei explicar meu pensamento a respeito do motivo pelo qual escrevi esse tweet. Primeiramente, vamos apenas colocar que muitas pessoas fizeram o trabalho de Game Design do D&D 4e, não foi apenas um grupo de amigos que decidiu o que achavam melhor, eram pessoas que foram pagas para “Pensar” coisas interessantes para “Melhorar” o sistema.

Isso para mim já é um ponto muito importante. Não estou dizendo que em outras empresas como a Paizo isso não ocorreu, ou mesmo quando o D&D 3rd teve o mesmo processo. Mas vamos considerar que para o “produto”, D&D 4e, houve uma grande pesquisa para saber quais eram os problemas, muitos deles apontados por pessoas que jogavam e criticavam no EnWorld, ou mesmo no antigo GleeMax.

Então podemos supor que muitas pessoas enviaram criticas para os Game Designer apenas “Pensarem” e desenvolverem uma “Solução” para a nova edição de D&D.

Quando o D&D 4e foi lançado uma grande resistência começou, não somente por ter mudado muitas vacas sagradas (Sistema de Magias, Sistema de Classe, Sistema de Multiclasse, Tabelas de Classe, Monstros…), e é normal para nós (consumidores) termos resistência para sair de nossa Zona de Conforto, isso é normal.

Após algumas sessões de D&D 4e (não apenas uma, e sim algumas) podemos perceber suas melhorias, não somente para o lado do mestres, mas também para o lado do jogador e muita coisa ficou mais clara, assim como muitos textos ficaram mais simples. Claro que isso também gerou uma critica feroz, graças à falta de “detalhamento” de certos aspectos.

Mas isso é algo que já estava acontecendo, não somente no RPG, mas na vida das pessoas. Estamos cada vez mais buscando informações de maneira rápida, queremos saber dos fatos de maneira mais rápida, e queremos aprender o sistema de RPG de maneira mais rápida, e para isso, remover parte do “Fluff” é uma solução interessante.

Claro que foi removido muito fluff, mas os últimos lançamentos a Wizards compreendeu que seus leitores não querem apenas Blocos de Estatísticas, querem também texto descritivo, e o próprio Wyatt já disse no Wizards Community que irá se dedicar mais a descrições.

Então, quando me refiro ao motivo pelo qual quem ainda está preso a terceira edição é “Besteira”, não é que a pessoa seja “Besta” e sim que é por não conseguir sair de sua Zona de Conforto, afinal cedo ou tarde teremos que mudar, teremos que nos atualizar, senão ainda estaríamos lendo os livros dos anos 50, estaríamos usando Windows 95 (para não falar DOS), ou estaríamos usando cabelos igual aos filmes dos anos 80!

Então é um processo natural (também para o RPG) começar a jogar sistemas mais adequados a nossa geração, e isso requer um pouco de esforço para tanto. Então é por isso que digo: “É besteira”.

Quando me digo que é “Burrice”, eu estou falando do fato de que aqueles que ainda têm resistência, e mesmo mostrando todos os lados positivos que existem na quarta edição ainda é cego o bastante para dizer: “Mas a terceira edição é equilibrada”, ou para mencionar “que D&D 4e é só combate”, ou mesmo o “D&D 4e acabou com o RPG”.

Já que hoje compreendemos que a terceira edição não é equilibrada, que a nova edição não é só combate (assim como todas as edições de D&D) e que o D&D 4e chamou muitas pessoas para as mesas e trouxe mais vida para nosso hobbie. Para essas pessoas que ainda tentam esse tipo de coisa, eu digo: “É burrice”.

Claro que eu acredito que nenhuma pessoa, hoje, faz esse tipo de coisa, então não acredito que tenham pessoas “burras”, afinal estamos na era da informação, e é normal que as pessoas tentem ficar cada vez mais informadas.

Certo?

Em segunda-feira, 9 de agosto de 2010 ás 1:24 na categoria Opiniões & Reflexões. Você pode acompanhar os comentários desta entrada através do RSS. Você pode comentar este post, ou um trackback de seu próprio site.

32 Respostas a “Burrice ou Besteira”

  1. bardo_indieNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 8:28

    Eu acho “besteira” creditar apenas ao D&D 4e essa capacidade de renovação e “burrice” os próprios jogadores de D&D serem resistente a outros sistemas, mas como o post é sobre tal edição, acho que vc está correto em suas opiniões. Apenas essa observação.

  2. cochiseNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 10:54

    Eu acho besteira um sistema precisar de três livros de blocos de estatística e burrice a posição de MUITOS jogadores de D&D de achar que o RPG é D&D e não que D&D é uma parte do RPG.
    Acho que ninguém é obrigado a se atualizar se não quiser, independente do novo produto ser *melhor*.
    Também acho que os avanços da 4e são risíveis e que eles conseguiram tranformar tudo que não era combate em combate com os desafios de perícia.
    E que mesmo com desafios de perícia é um belo sistema para jogar Mortal Kombat, mas péssimo para contar histórias.

    Mas isso é opinião pessoal.

    Também acredito que todos os RPGistas podem conviver em paz sem brigarem ao aceitarmos que o nosso RPG não é O RPG. Que ninguém é obrigado a vir para o nosso lado e que sim, temos o direito de convidá-los, mas não de desqualifica-los quando eles recusam.

  3. Alexandre DracoNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 11:05

    E ae Shin!

    Então… A princípio, a noção de que 3 > 4 nos dá a falsa idéia de que a 4ª edição é, sob todos os aspectos, uma evolução da 3ª. Como Playstation 2 -> Playstation 3.
    No entanto, a mudança de uma edição para a outra teve um impacto muito grande na comunidade RPGística, de modo que a 3e deu origem a uma vertente própria (principalmente pela Paizo).

    Concordo que os designers quiseram “melhorar” o D&D, mas muita gente acha que não tinha o que melhorar (ou que as “melhorias” não ficaram muito boas). Na prática, pensamos da mesma forma, mas só porque as mudanças no sistema nos agradaram.

  4. Mr.PopNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 11:25

    Senhores, já podemos apagar as luzes e ir embora. O shin acabou de definir tudo, inclusive me sinto realmente Burro por não conseguir gostar da 4e.

    Este seu artigo Shin é o exemplo PERFEITO que coloca por terra toda a teoria dos talifãs de que Troll é que não respeita o jogo de vcs…

  5. rsementeNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 11:38

    Na verdade a 4E é um sistema completamente diferente da 3E (visto que não é possível adaptar um personagem da 3E em um da 4E – palavra da própria Wizards).

    Não houve melhoria do sistema exatamente por ser outro sistema.

    A 4E tem vantagens e desvantagens, afinal nem tudo é perfeito. A 3E tem vantagens e desvantagens também.

    Quem não gosta da 4E edição é por que não gostou mais de suas vantagens do que desvantagens. Não existe Burrice ou Besteira.

  6. Ataualpa PereiraNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 12:01

    Cara, nem adianta mais dar murro em ponta de faca.

    E eu concordo. É isso mesmo, um D&D mais dinâmico, evoluido de uma versão anterior. Dizer que a 4E é outro sistema é o mesmo que dizer que a 3E não é D&D, porque acabou o “Save or Die”. Ou que o Super Hit Combo desconstruiu o Street Fighter.

  7. ShinNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 14:08

    Olá Cochise,

    Você precisa apenas de um livro: Livro do Jogador.
    Se você quer o DM então precisa do: Guia do Mestre.
    Se tem preguiça de criar monstros, então compra o: Manual dos Monstros.

    Ninguém é obrigado a se atualizar, mas qual é a versão do seu Windows? Não era melhor estar usando o DOS então? Sobre sua critica as mudanças, isso é gosto, mas Designers estiveram trabalhando e depois de muito testar chegaram a conclusão que é a melhor forma para evitar os problemas da edição anterior.

    E nem tudo ficou separado em Combate, Desafio de Pericias. Você ainda tem regras para Roleplay, você ainda deve conversar com NPCs, receber suas “Missões” ou “Quests” ou [Termo que você e seu grupo usam] e então avançar a história.
    :)

  8. ShinNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 14:16

    Não gostar é “Opinião Pessoal”,

    Você pode gostar de Yorgute e odiar Coca-Cola. Isso é gosto, opnião pessoal.
    Mas você vai me dizer que era melhor Garrafa de Vidro (que causava tantos problemas, podia quebrar…) do que as Garrafas PET (que é uma solução genial) é outros quinhentos.

    Ps.: Não me acho um “Troll”… Assim como não te acho “Burro”.

  9. cochiseNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 14:21

    @Shin
    Eu uso Linux.
    Mais especificamente tenho três distribuições instaladas no meu computador.

    E pessoalmente acho que Quest ou Missão é algo muito limitado. Este é um dos tipos de RPG existente. A estrutura quests é uma parte de um dos modos de se jogar RPG, que é a com aventuras objetivas.
    Posso ter aventureiros pró-ativos que tem objetivos ao invés de receberem quests, posso ter aventureiros que estejam simplesmente explorando o desconhecido e ido onde nenhum homem jamais esteve como em Star Trek, posso ter aventureiros que estão fugindo de algo e não tem tempo para quests. Isso sem sair de aventuras objetivas. Existem as subjetivas.

    A questão não é ser obrigado a atualizar para o Windows sete, mas poder usar Linux, Solaris, Inferno, Haiku, Syllabe, Minix e outros tantos OS que existem.
    O Sistema Operacional não é o Windows. O windows é uma parte do universo de Sistemas Operacionais.

  10. ShinNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 14:22

    Olá rsement!

    Acho que todas as edições de D&D são muito distintas umas das outras.
    Apenas pensando nisso já podemos perceber que o AD&D 1º e o AD&D 2º são bem diferentes (até porque eram projetos distintos de cada grupo de escritores).

    O AD&D para o D&D 3º também é um sistema completamente diferente do outro. O que ocorreu é que o D&D 3.5, que nada mais é que todas as Erratas da terceira em um conjunto de regras “revisado”.

    Até mesmo o Gurps 3º para o Gurps 4º tiveram suas regras revisdas, e apesar de “Parecer Semelhante” são sistemas complatamente distintos e NÃO SE PODE juntas as duas coisas. Não somente pelo custo de pontos de atributos, quanto pelo maneira que o sistema funciona, regras de matemática do sistema.
    :)

  11. ShinNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 14:31

    Olá Cochise!

    Mas tudo isso você pode fazer usando a mecânica de Missões.
    Ou seja, os jogadores DEVEM ser recompensados por realizar suas facanhas, é uma forma de chamar a atenção dos jogadores, é acima de tudo é uma “Mecânica”.

    Posso dizer que a Missão é “Destruir Objeto”, você pode fazer isso como em Senhor dos Anéis (destruir o anel) ou em Star War (detruir o Estrela da Morte), ou ir para ….

    Nada também te impede de fazer o cenário e deixar as “Missões” espalhadas e os jogadores “Investigarem o Desconhecido”… Isso por sinal é feito nas ultimas páginas do Guia do Mestre quando se descreve o Vale Nentir.

    Agora, você usa a versão mais atual de Linux certo? Senão não teria como estar escrevendo aqui, afinal o Linux dos anos 90 (que eu usei) não suportava os ficheiros empregados nesse blog.

    Diferentes sistemas operacionais são como diferentes sistemas, diferentes versões de D&D são como diferentes versões de Windows.

    Compreende agora?

  12. ShinNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 14:35

    Olá Atualpa Pereira,

    Pelo menos não me sinto tão sozinho, pensei realmente que estava errado e que tinha sido um Troll fazendo Trollagem…

    Obrigado!

  13. Cristiano LagameNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 14:40

    Eu não jogo D&D 4th por dois motivos:

    1º Como mestre não quero investir meu dinheiro em mais trocentos livros.
    2º,Como jogador não encontro mesas de 4th, pelo menos não em meu bairro, nem entre meus amigos mais próximos que jogam RPG.

    Se a 4th é boa ou não eu não sei, nunca experimentei. Posso vir a gostar, mas somente como jogador, não rola mesmo investir tudo de novo numa nova versão, mesmo se ela for a 8ª maravilha do mundo da fantasia.

  14. Dan RamosNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 14:53

    Como assim garrafa pet é uma solução melhor? Coca-cola é muito melhor em garrafa de vidro! E até hoje as duas garrafas coexistem sem problemas.

    Shin, continua procurando uma analogia decente que essa também é furada! hehehe

  15. ShinNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 15:00

    Cristiano Logame,

    Não sei onde mora,
    Mas se for em SC, perto do litoral podemos marcar um dia para jogar (na verdade fazer uma pequena série de aventuras).

    Acho que você iria gostar.
    E não é necessário comprar mais do que o livro do Jogador, ou mesmo pegar emprestado para consultas quando necessário (se não tiver acesso a internet).
    :)

  16. ShinNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 15:03

    Olá Dan Ramos!
    Tem os dados de vendas das garrafas em PET e vidro?
    Eu tive oportunidade de estudar isso na faculdade (Design), e posso afirmar que foi uma solução genial no seu tempo, além de evitar um monte de problemas para a Coca-Cola Company, melhorou outros aspectos.

    E novamente,
    Você usa a garrafa de vidro (nos muldes dos anos 90) ou as Cerâmicas Avançadas de 2008?
    O que também posso assegurar que são as cerâmicas de 2006 que são utilizadas, até porque temos estudados esses tipos de materiais para nossos projetos da faculdade.

    Ou seja, ainda assim estamos usando usando coisas modernas.
    :)

  17. DanielfoNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 15:11

    Acredito que depois de uma grande estagnação de ideias na segunda edição a terceira veio apenas para testar os rumos do mercado. A quarta edição é a consolidação dos perfis de players observados na edição antiga.

  18. Dan RamosNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 16:05

    Opa, mas são de vidro, não são? São, digamos a versão “Pathfinder” das garrafas de vidro.

    Você usou sua própria analogia contra si mesmo! =D

  19. Dan RamosNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 16:07

    Ah sim, e sua carteirada foi mais furada ainda, porque as duas garrafas continuam sendo vendidas, acontece que para refrigerante de 2L só tem pet, porque aí de vidro era complicado! Mas a KS continua aí, junto da de 1L, firme e forte. E ainda em versão Pathfinder. Huá huá huá

  20. Dan RamosNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 16:16

    Ah sim, tenho que considerar: esses meus comentários estão soando bastante ácidos por falta de emoticons. Não me entenda mal, e me desculpe se estão ofensivos. =/

  21. ShinNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 16:16

    Olá Dan Ramos
    Ignorasse um detalhe, tecnologia empregada.
    Acha mesmo que as garrafas dos anos 90 são exatamente iguais as de hoje?

    Podemos assumir que a versão 3.5 e as garrafas de Vidro,
    E as PET (biodegradáveis) é a 4e,
    E por final o Pathfinder é feito com as Cerâmicas atuais.

    Percebe que tudo é “avanço”, e tudo é “melhoria”?
    :)

  22. césar/kimbleNo Gravatar 10 de agosto de 2010 ás 21:27

    Cara, você deveria ter defendido que dizer que ‘d&d não é rpg’ ou ’4e não é d&d’ é bobagem, ou algo assim. Mas tu acabou se perdendo e ofendendo sem motivo o pessoal que não gostou da nova edição.

  23. Eclison "Luminus" TolenitnoNo Gravatar 11 de agosto de 2010 ás 9:56

    Putz…

    Shin,

    Não tenho os números exatos, mas sou capaz de apostar que muito mais gente trabalhou na criação de cada uma das outras três edições de D&D, por um motivo muito simples: antes, houve material realmente criado (cenários, guias de regras alternativas, suplementos, etc). A 4.0D&D não tem esse tipo de coisa, e quando tem é em um escopo muito menor, ou não é em todas essas frentes de trabalho. Isto é, não tem nada que foi desenvolvido para 4.0D&D que já não tivesse sido feito nas edições anteriores (o material eletrônico, por exemplo, é uma exceção, e esse tipo de coisa não reúne dúzias de pessoas). Logo, imaginar que mais gente trabalhou na 4.0, quando você teve a abertura da licença pra terceira edição, quando você teve tantos cenários publicados na segunda edição e quando você teve todas as fundações lançadas para tudo isso (comunidade, eventos, linhas de produtos, etc) ainda na primeira edição, o sentimento que eu tenho é o de que menos pessoas trabalham com o RPG ao longo dos anos, na TSR/WotC/Hasbro. Isso inclusive está de acordo com o pensamento moderno, que é o de se maximizar os lucros, e minimizar os custos operacionais. Menos pessoas equivale a menos salários, que equivale em menos custos. Estão aí as famosas “demissões de fim de ano” da WotC/Hasbro que não me deixam mentir.

    Sobre o foco desse trabalho, quer dizer, sobre afirmar que os desenvolvedores da 4.0D&D “foram pagos para tornar o sistema mais interessante e melhorá-lo”, eu não sei de onde você tirou isso. Eu acho difícil de se imaginar, por exemplo, que alguém da comunidade de amantes do hoby e de reclamões de plantão tenha sugerido algo como “por favor, faça com que seja impossível jogar o novo sistema sem tabuleiros e sem miniaturas”, ou então “por favor, não criem novos cenários para a nova edição, apenas revisem os antigos, que eu já comprei”, ou mesmo “me façam uma gentileza: incluam no sistema alternativas mágicas que ecoem uma sociedade avançada tecnologicamente, e então caracterizem o mundo como sendo um conjunto de pontos de luz isolados e fragmentados”. Pode até ser que eles realmente tivessem isso que você disse em mente, mas acredito que, fora da WotC, ninguém saiba realmente qual era o objetivo repassado a eles. Ou você tem algo, além de sua boa fé, para dar de testemunho desse processo?

    Sobre solucionar problemas, bem, isso não foi feito. O que foi feito foi o seguinte: eles pegaram o antigo conjunto de problemas, botaram num saco, amarraram a boca desse saco e o jogaram no rio. Então, eles criaram um novo sistema de regras, novas caracterizações de classes, um novo panorama para o jogo… e, com tudo isso, eles criaram novos problemas. E é por isso que a 4.0 já teve tantas revisões de tudo o que se pode imaginar, de rituais a testes (desafios) de perícia. E, se você der uma lida na errata de 4.0D&D, vai ver que os problemas podem até ser outros, mas em termos de volume, é quase um novo livro básico…

    Uma coisa que eu queria que você entendesse é o seguinte: nós não somos consumidores por natureza. Não tem nada na sua biologia, no seu modo de vida, na sociedade em que você vive ou no trabalho que te sustenta que te obrigue a gostar (ou mesmo a comprar, ou ainda, depender) dos novos livros de RPG lançados para a quarta edição. Não é nenhuma grande catástrofe uma pessoa ter adquirido 30 livros de terceira/segunda/primeira edição e, ciente de que ele tem RPG garantido pelo resto da vida, simplesmente parar de comprar livros de edições mais recentes, e continuar se divertindo. RPG é lazer. Se você se diverte, azar dos produtos mais novos, azar dos novos autores, azar da indústria. E, ainda por cima, na atual situação, onde a nova edição apenas revisa material já publicado (nada de novo é apresentado, exceto a mecânica em si), aí é que eu entendo perfeitamente que o sujeito simplesmente se atenha ao que já foi publicado, uma vez que é exatamente isso que a nova edição está fazendo! Claro, ser humano esperto que você é, nada te impede de experimentar outros produtos, mas apenas se você quiser.

    A sua analogia com a literatura dos anos 1950, ou com sistemas operacionais de computador falha exatamente neste ponto: a literatura da segunda metade do século vinte não se limitou a revisar a literatura da primeira metade daquele século, assim como os sistemas operacionais do século vinte e um não se limitam a emular exatamente as mesmas coisas que os sistemas operacionais da década de 1970. Muita coisa foi acrescentada, muita coisa mesmo. E isso, infelizmente, não aconteceu com a 4.0D&D, onde as novas regras, no fim das contas, são uma justificativa em si mesmas: existem apenas para trazer o tão sonhado equilíbrio entre as classes de personagem que já existiam, ao custo de toda a caracterização criada para essas mesmas classes ao longo de décadas. A 4.0D&D tem sim os seus méritos, mas ela está ao mesmo tempo tão enraizada no passado e tão deslumbrada com o futuro que fica complicado analisá-la por si só, o que novamente não é um fator quando se fala de sistemas operacionais, ou da literatura da segunda metade do século vinte (ninguém precisa ter usado Win 95 para saber que o Win 98 é uma merda, ele se basta para tal conclusão; ninguém precisa ter lido nenhum outro livro modernista para reconhecer a qualidade dos trabalhos de Ariano Suassuna e de Clarice Lispector, pois eles são autosuficientes).

    E tem muita gente que ainda usa cabelos a la anos 80. Essa sua foto que o diga.

    Então, para tentar resumir uma coisa que realmente já está mais longa do que eu esperava: besteira & burrice é querer tachar o comportamento das pessoas, baseado no que você, como indivíduo, considera adequado/lógico/melhor. O que está na moda não é, necessariamente, o melhor para a maioria das pessoas, ou mesmo para uma boa parte delas. O que está na moda é simplesmente o último lançamento, de qualquer produto que seja. Daqui a pouco, vem a quinta edição (já temos em vista a 4,5 né?) e daí a discussão passa a ser 4 vs 5… porque é o que estará na moda. Não porque uma seja “melhor”, ou “mais contemporânea”, ou “mais adequada” que a outra, mas apenas porque a moda dita assim.

    Desanuvia desse trem de querer arrebanhar gente para a 4.0D&D. Ela, como todos os outros sistemas de RPG, está com os seus dias contados.

    E.

  24. AlurielNo Gravatar 11 de agosto de 2010 ás 16:08

    Vamos ver assim… a 3E seguia uma certa fiolosofia dentro de seu conjunto de regras. E elas trouxeram grandes benefícios. Como por exemplo uma liberdade enorme na hora de se criar um personagem. A 4E contudo é masi restritiva, embora ainda seja bem livre, porém ela é de longe bem mais equilibrada que a 3E, onde todos os nichos de personagens conseguem se equiparar em nível de poder do nível 1 ao nível 30 sem grandes problemas.

    Basicamente a 4E sacrificou parte da liberdade em troca de um jogo equilibrado, veloz e com menos cálculos. Aqueles que falam e o roleplay? A resposta pra isso é simples, roleplay nunca foi mérito de sistema algum, se for ainda posso dizer D&D é fraco em “Mecânicas Interpretativas” se comparado a Storyteller, Storytelling ou Mutants & Masterminds que oferecem ferramentas mais eficazes pra recompensar roleplay.

    Sério mesmo. NENHUM SISTEMA TEM A OBRIGAÇÃO DE PREMIAR ROLEPLAY. O MESTRE E OS JOGADORES DEVEM FAZER ISSO POR SI MESMOS E NÃO COBRAR DO SISTEMA COMO ESMOLA. E tenho dito.

    O cara que é faz um roleplay ruim na 3E, vai fazer um roleplay ruim na 4E, no M&M, no storyteller e em qualquer outro lugar, assim como o bom vai ser bom em qualquer lugar. E nem por isso o sistema é pior ou melhor por causa disso.

  25. Cristiano LagameNo Gravatar 11 de agosto de 2010 ás 16:47

    Reza a lenda que pedir desculpas não dói, a não ser que ainda ache que é burrice quem resiste a 4th.
    99% dos comentários que vi discordam da sua forma de demonstrar sua opinião (algumas delas inclusive gostam da 4th).

    Eu não gosto dessa mecânica de missões encaixotadas, pois somente quem curte muito WoW (e não são poucas) é que vai se amarrar nesse estilo de jogo.

    Ao meu ver, a WotC viu nessa vertente uma chance de ganhar mais dinheiro, e tornou o D&D em um gameboard.

    Nem sempre os jogadores querem fazer personagens equiparados em força com os outros membros do grupo, lembro-me que na minha campanha atual enquanto todos estavam no 8 nível, um dos jogadores queria entrar com um personagem de 4º, pois ele não queria fazer um personagem muito fodão logo de início, então expliquei pra ele que a camapnha era em Ravenloft e os perigos que eles iam enfrentar seriam muito grandes, e ele entendeu, mas se eles estivessem em Forgotten Realms eu permitia ele entrar menos experiente, pois isso fazia parte do histórico do personagem, então não vejo necessidade de deixar as classes e raças tão homogêneas em poder, chega a ser nonsense.

  26. ShinNo Gravatar 11 de agosto de 2010 ás 17:39

    Eclison “Luminus” Tolenitno,
    Minha resposta é tão grande quanto seu comentário, irei escrever uma postagem em resposta.

  27. FlávioNo Gravatar 11 de agosto de 2010 ás 19:39

    Eclison “Luminus” Tolenitno o seu conteúdo comentário (e também o de vários outros) é MUITO superior ao conteúdo do post. Nada contra Shin, vc faz ótimos posts tb, mas este não é exatamente um deles; de todo modo mantenha ele ativo, pois os comments são (bem mais) informativos.

  28. MandNo Gravatar 11 de agosto de 2010 ás 20:20

    Shin, não alimente os trolls.

  29. Julian von KarmaNo Gravatar 11 de agosto de 2010 ás 20:57

    Eu nunca me familiarizei com a 3E, mas tive a oportunidade de jogar Neverwinter Nights. Não sei se as opções de jogo são as mesmas do D&D3, mas eu não sentia a menor emoção quando meu ranger passava de nível. Eu só ganhava uns PVs e de vez em quando um feat e pontos de atributo.

    Na 4E, por outro lado, há o sistema de poderes, o que torna a passagem de nível muito mais emocionante. Além disso, os poderes fornecem mais opção de combate para todas as classes e os rangers não ficam apenas atacando com as espadas (ou arco) a esmo como eu era obrigado a fazer no NWN.

    E com relação ao roleplay… o sistema pode auxiliar, mas isso é responsabilidade do mestre e dos jogadores. Como já foi dito, se os jogadores interpretam bem eles o farão em qualquer sistema.

    Resumindo tudo o que postei em uma frase eu diria que a 4E é muito mais atrativo para mim -que sou novato em D&D, ainda que seja relativamente experiente em RPGs- do que a 3E. Os que preferem cotinuar com a 3E tem todo o direito de fazer essa escolha, mas acredito que os que lutam contra a 4E estão realmente sendo “burros”, afinal esta é a versão oficial atualmente.

    Por que digo isso? Porque a Wizards não vai retroceder ao D&D 3E, da mesma forma que o Windows não retornou ao XP depois do RELATIVO fracasso do Vista. O máximo que pode acontecer é lançarem um 4.5E.

  30. AlurielNo Gravatar 11 de agosto de 2010 ás 21:32

    “Nem sempre os jogadores querem fazer personagens equiparados em força com os outros membros do grupo”

    Como assim? Cara, quantas pessoas se divertem sendo inúteis em combate numa mesa? Sério não casters eram tremendamente dispensáveis depois de alguns níveis. Em níveis altos Magos, clérigos e druidas reinavam absolutos destruindo o mundo, enquanto seu guerreiro ficava lá atrás com os outros não casters jogando truco. Porque sim, o sistema permitia que essa curva de poder absurda tirasse o equilíbrio de poder no grupo e de certa forma a diversão do grupo, quem disser que joga D&D e se diverte SÓ COM O ROLEPLAY, provavelmente está mentindo. Afinal é um sistema de combate. Pode-se ter histórias profundas?Pode. Pode ter muito rolaplay de qualidade? Claro que pode, mas D&D é um jogo com a premissa de ser um jogo com muita ação e combate, fazer quase nada enquanto seu mago de nível 20 está varrendo milhões de infelizes do mapa e trucidando o líder deles, melhor que você que teoricamente é o cara do mano a mano é uma experiencia frustrante em mesa.

  31. PuppetNo Gravatar 13 de agosto de 2010 ás 13:05

    Sinceramente, estou “defecando e transitando” para opiniões sobre o sistema. Só não aceito quando vem com verdadeiras mentiras sobre ele. Algo do tido 4ed é só combate ou algo assim.

    Quanto ao grid, o pessoal que joga 3.5 e nuca usou um grid deveria usar. Vão ficar embasbacados da mudança no número de Ataques de Oportunidade. Ainda que jamais admitam, se você quer jogar o RAW, o grid é tão importante na 3.5ed quanto na 4ed.

  32. rsementeNo Gravatar 14 de agosto de 2010 ás 13:13

    Shin, sobre a resposta que você me deu:

    Sim as edições são diferentes uma das outras. Mas nenhuma anulou as possibilidades das anteriores.

    Por exemplo, no AD&D tínhamos as classes e raças (todas foram para 3E), multiclasse (evoluir duas classes ao mesmo tempo) e dupla classe(evoluir uma classe depois outra) (que virou apenas multiclasse na 3E, permitindo evoluir duas ao mesmo tempo ou uma e depois outra, e trazendo mais liberdade).

    No AD&D tínhamos o sistema de pericias como opcional, que só davam alguns beneficiozinhos, na 3E tínhamos um sistema de pericias completo, com alguns problemas é claro.

    No AD&D as magias eram bem similares ao D&D3E, foi onde provavelmente erraram, deixando magias muitos apelonas.

    No AD&D tínhamos uns 5 ou 7 Saves, D&D3E reduziu para três, mas que permitiu realizar ainda as mesmas jogadas de proteção.

    No AD&D tinha um sistema para vários ataques, e isso foi também para o D&D, mas de uma forma “um pouco pior” (mais trabalhosa).

    No final Tudo que você tinha no AD&D podia ser representado no D&D3E (que é o mesmo sistema que o 3.5 apenas com algumas erratas para equilibrarem mais um pouco).

    Já isso não é possível fazer do D&D 3E para o 4E. Por isso disse que são sistemas completamente diferentes.

    Mas D&D4E tem várias vantagens (e desvantagens). O sistema de poderes para o guerreiro o deixou mais divertido. Deixaram todas as classes com a mesma mecânica básica, tornando elas bem equilibradas entre si. Resolveram os problemas dos itens mágicos de forma bacana (dar poderes para os itens é mais legal que dar um simples bônus).

    Mas trouxe algumas coisas ruins.

    Ninguém joga com multiclasse, pois é ruim. É frustrante você esperar sua rodada, rolar apenas um dado e falhar (até mesmo gastando aquele poder diário) (por isso jogo com ranger). Jogou fora várias raças (meio orc, gnomos) e classes (monge, druida) fora dos livros básicos. Sistema de pericias perdeu um pouco as pericias que estimulavam o Role play (veja bem, estimulava, você podia apenas rolar o dado como você mesmo podia interpretar a ação – a rolagem servia para tolher jogadores espertalhões que apenas no blábláblá enrolavam todo o cenário, desequilibrando o jogo diante dos jogadores mais tímidos).

    Tudo isso torna ele um sistema bem mais distante do D&D3E, do que o D&D3E foi para o AD&D.

    Veja bem, sistema diferente, não que um seja exatamente superior ao outro, a distancia impede comparações precisas, levando s comparações para o lado do gosto.

    Já GURPS 4E é bem similar ao GURPS 3E (principalmente no básico). Até mesmo por que existe um manual de conversão (coisa que existiu do AD&D para o D&D3E, mas não do D&D3E para o D&D4E).

    Veja bem tudo é questão de gosto. Não é burrice o jogador querer jogar com um ladrão de 5º nível + mago de 5º, ao invés de jogar com um ladrão de 10º com apenas uma ou duas habilidade de ladrão (ou ladrão de 10º com uma habilidade de mago). Tem gente que odeia o sistema de multiclasse da 3E edição, acha ele muito apelativo, dá margem a aberrações (paladino + mago + ranger + ladrão + druida) . No final cada um tem vantagens e desvantagens.

    O que me decepcionou na 4E é a falta de compatibilidade. Mestrei o jogo 2 vezes, joguei várias outras, mas sempre que quis fazer um personagem assim ou assado não pude por alguns limitações da 4E.

    Mas agora existem várias novas opções na 4E, o que agrada alguns jogadores (eu gostei do Dragonborns).

Deixe uma Resposta

* os campos marcados com asterisco (*) são obrigatórios