Aproveitando que o Shin já comentou a respeito da importância do D&D Insider, e os múltiplos posts a respeito das prévias das ferramentas que eu publiquei aqui, decidi fazer um pequeno resumo da minha experiência com o Character Builder beta na última semana.
O Chargen (apelido carinhoso) foi publicado em edição beta aos membros do D&D Insider na última semana e, logo no primeiro dia eu fiz o download. Tudo foi tranqüilo até o momento da instalação, onde um travamento inesperado do meu sistema arruinou a instalação (culpa do Windows maldito!). Desinstalei e tentei novamente, dessa vez sem problema algum.
A primeira impressão do Chargen não foi lá essas coisas; parecia bom, mas nada mais do que isto. Até que eu decidi converter um dos personagens da minha campanha para o programa. Levei pouco mais de 5 minutos, e isto porque me perdi um pouco na busca de equipamentos e adaptação de uma ou outra regra-da-casa (house-rule). Esta característica em especial foi a que mais me agradou no programa, pois ele permite que você adicione uma de suas próprias regras a ficha. Desta maneira, removi o idioma bônus do meu personagem meio-elfo e acrescentei o Midlander como idioma padrão e voilá, tenho um personagem adaptado ao cenário.
Não me prendi muito a escolha dos poderes, pois já havia feito isto em mesa, mas fiquei muito satisfeito em ver na lateral direita a descrição completa do poder, já com seus bônus de ataque e dano contabilizados com base nos atributos do personagem. E, mais do que isto, um link de referência ao D&D Compendium com o mesmo artigo, dessa forma você pode acompanhar as atualizações.
Acredito que o próprio Chargen fará as atualizações periodicamente de acordo com os novos materiais lançados. O programa já conta hoje com as regras do Players Handbook, Guia de Personagens do Forgotten Realms e várias edições da Dragon Magazine. Dessa forma, se você gostou de alguma opção lançada nas revistas (como o Warforged ou o Artífice), eles estarão lá.
Infelizmente a versão beta do programa só permite a criação de personagens até o 3° nível; em minha campanha os jogadores acabaram de deixar este nível para trás. Mas eu espero ansiosamente que possam lançar uma versão mais abrangente logo.
Outro ponto negativo que eu gostaria de citar foi a dificuldade em copiar os atributos do meu personagem original. Explico: minha rolagem de dados não segue o padrão recomendado pelos livros, nossos personagens são um pouco mais comuns que a maioria (abaixo dos 22 pontos), então tive que preencher no programa atributos acima da ficha original. Claro que, logo após, abri o arquivo XML gerado pelo programa, editei os valores e coloquei-os como house-rule. Resolvido novamente.
O programa ainda permite imprimir a ficha do personagem com sua ficha de poderes e tudo mais, embora não permita salvar em outro formato além deste criado para o programa. Este formato (XML) é uma mão-na-roda. Permite que, com ligeiras adaptações, vários programas possam ler os mesmos dados, dessa forma o D&D Game Table, qualquer jogo lançado posteriormente e mesmo os programas desenvolvidos pelos fãs possam utilizar o mesmo arquivo como base.
Quer dizer que logo poderemos abandonar os livros e manter toda a campanha na tela do computador? Sim, acredito que seja possível. Não que eu vá me desazer dos livros, mas adquiri tamanho cuidado com eles que certas vezes tenho até pena de carregá-los na mochila. Dessa forma levo talvez só o Livro do Jogador para a mesa (ou as regras principais impressas) e mantenho todas a aventura (criaturas e encontros).
Alguns me chamarão de herege, mas isso me lembra muito o que fazíamos na Era do RPG Xerox: cada jogador com seu pedaço do Livro do Jogador impresso, e o mestre com uma imensidão de tabelas xerocadas dos suplementos de Planescape, Mystara ou Dark Sun que nunca chegaram a ser publicados por aqui.