Histórico da tag ‘Desafio de Perícia’

Conceitos: Encontros

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Olá,

Antes de falar a respeito dos monstros em campo de batalha, irei falar a respeito de “encontros“, mesmo essa palavra sendo muito comum entre o público jogador de D&D, ainda existe um certo “mistério” a respeito do que é “Encontro” e do que é encontro.

Um encontro de acordo com o Dungeon Master Guide (p.120) é um desafio, um momento onde qualquer “erro” irá causar algum tipo de problema, seja a perda de pontos de vida (encontro de combate), perda de pulsos de cura (talvez um trap/hazard), ou mesmo um problema maior, como deixar a filha do nobre da cidade morrer (uma quest?).

Então temos que encarar o fato que um encontro muito fácil, como derrotar um “plebeu” não irá conceder nenhum ponto de experiência, afinal, um plebeu ainda é um plebeu. Do mesmo jeito que evitar o grupo de Cíclopes na frente da caverna não irá render nenhum ponto de experiência. Entretanto passar pelos Cíclopes como uma desafio de perícia pode render um excelente roleplay e alguma experiência.

Irei falar primeiro dos encontros “combativos” que são os encontros mais comuns nos jogos de D&D.

Um encontro combativo (ou somente “Combate“), geralmente começa quando o Mestre diz: “Rolem a Iniciativa“, isso representa o início do combate, e é onde a emoção está. Afinal derrotar um monstro pode ser muito divertido, geralmente, atacar, acertar, errar são coisas muito interessantes, ver os dados rolando e os inimigos caindo é uma experiência incrivel!

Um encontro termina quando os inimigos são derrotados. Então encontramos nossa primeira coisa interessante aqui, derrotar um inimigo não significa “cortar sua cabeça” e sim “eliminar o inimigo do combate“.

Agarrar o inimigo e fazer ele perder a consciência, é uma maneira de derrotar, assim como uma uma armadilha de fosso também é uma forma de maneira. Ou mesmo amarrar um inimigo também é uma forma de vencê-lo.

Ao encerrar um encontro os personagens podem fazer um descanso e recuperar suas forças para os próximos encontros, ou então continuar avançando. Quando os jogadores decidem continuar, eles não fazem o descanso, entretando isso também torna as coisas mais difíceis, para termos de jogo, é como se o encontro não tivesse terminado.

Claro que se os jogadores encontrarem a sala seguinte vazia, e decidirem explorar a sala, é considerado um “descanso curto“, mesmo que nenhum deles use esse mesmo tempo para recuperar seus pontos de vida, mas seus poderes por encontro se recuperam.

Encontros não combativos devem representar o mesmo risco para os personagens. Então pense com muito carinho quando usar um “Desafio de Perícias“, pois estes desafios terão que impor o mesmo sentimento de “estamos em apuros” que um combate impõe.

Armadilhas e “Hazards” são uma segunda ferramenta de encontro para os mestres, pois estas podem ser atrativos, muito interessantes para os mestres e jogadores, representando um elemento “único” para um combate, e assim o podendo tornar um encontros simples, em uma batalha épica.

Ainda sobre encontros não combativos, ainda temos os puzzles. Estes puzzles são quase como brincadeiras, entretanto, puzzles sozinhos não representam um encontro, porém podem dar muito sabor a outros encontros, e quem sabe ser a peça final para uma “Quest“.

Então, quando for calcular a quantidade de “experiência” de cada jogador tenha muito cuidado para não colocar uma quantidade menor/maior do que os jogadores realmente devem receber. Não estou falando que o mestre deve ser uma pessoa vil o bastante para não permitir que os jogadores evoluam. Mas “sobrecarregar” a experiência também não é o melhor exemplo.

Bem, espero ter ajudado a compreender essa palavra chave muito importante.

Cya.

Desafio de Perícia: Enchente

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O desafio dos últimos diasPara aqueles que não sabem, nós do Tomo 4ᵉ moramos em Itajaí – SC, uma das cidades afetadas pelas recentes chuvas, e consequente enchente. Minha casa fica um pouco distante da área afetada e não tenho muito do que reclamar, mas não posso chegar até o trabalho e algumas vezes conectar a internet é um tanto difícil. Então peço a compreensão de todos aos posts menos frequentes.

Apesar disso estou em casa, ouvindo os helicópteros da defesa civil pousando aqui perto e pensando na descrição dos Desafios de Perícia que o Shin fez em seu post anterior. Vou aproveitar também o comentário do Daniel sobre o artigo The Challenge of Skill Chalenges da Dragon Magazine e traduzir algumas informações que possam guiar os mestres:

Os desafios de perícia devem ser como os combates! Os personagens precisam sentir a ação do momento, tentar manobras diferentes e uma vez ou outra desafiar o script do mestre. Os jogadores devem optar pelo desafio ou evitá-lo se desejarem. Eles podem inclusive mudar o curso da aventura ao escolherem resolver um desafio através de perícias.

Se você preparou um encontro de combate (como o troll guardando a ponte) e os personagens resolverem lidar com a situação de modo furtivo, deixe que o façam. Crie um desafio coerente, onde eles tenham que descer até o rio e escalar novamente entre as vigas de sustentação da ponte. Isto me recorda algumas situações que estão acontecendo aqui, hahaha. Vamos em frente.

É preciso variar as opções para que os personagens assumam seus papéis. No exemplo acima, poderíamos nos limitar a testes de Furtividade, mas isto deixaria muitos jogadores sem ação. A idéia de descer ao rio e escalar o outro lado pode ser resolvida com a perícia Atletismo (e em alguns casos Acrobacia), Blefe poderia ser utilizada para distrair o guarda, e mesmo Natureza, Percepção e Intuição para fornecer algumas dicas úteis.

É importante que os jogadores não se sintam chateados ao repetirem as ações várias e várias vezes. Permitir o uso de diferentes perícias também auxilia neste âmbito, tornando os testes menos repetitivos e gerando algumas situações bem interessantes, como o clérigo vestido em malha escalando as vigas molhadas. Mesmo uma falha pode tornar o jogo mais divertido.

Embora os desafios não venham a tomar horas de jogo, não é desejável que sejam resolvidos com duas ou três rolagens de dados. Faça com que os jogadores notem que cada uma de sua ações têm resultados independente da resolução do desafio. Caso necessário, as rolagens podem expandir-se para além de uma cena, com encontros de combate intercalando-as.

Algumas dicas rápidas:

  1. Escolha um número de perícias para o desafio iguais ao número de personagens +2; assim você garante variadas opções e a participação de todos os jogadores;
  2. Use perícias que várias classes podem possuir, como Atletismo (metade dos personagens pode possuir); e
  3. Use as perícias raras (como Natureza ou Percepção) nos testes que não são essenciais para resolução do desafio, ou reduza a dificuldade para estes testes.

Estas regras são bastante gerais, mas você pode estudar cada um dos personagens de seus jogadores e adaptá-las a situação do seu jogo: se todos os personagens na mesa de jogo possuem +5 ou mais na perícia Percepção, desconsidere-a como perícia rara.

Conceitos: Desafios de Perícia

sábado, 22 de novembro de 2008

Bem,

Após uma doença forte (que ainda estou me recuperando), estou novamente, e não irei desapontar os leitores!

O tema de hoje é um pouco mais voltado para “o que é” do que “como isso funciona em jogo“…

Muita gente tem feito usso errado dessa “ferramenta” de jogo, que ao meu ponto de vista é muito interessante. Os Skill Challenges, ou como irei chamar, “Desafios de Perícias“, são a forma emocionante de usar suas pericias e lidar com “desafios” impostos pelo mestre…

Em outras palavras, Desafios de Perícias são uma forma de fazer um “encontro não-combativo“, de manter a “emoção” em cada jogada, em cada lance… Isso é um desafio de pericia.

Agora, como se “monta” um desafio de pericia?

Primeiro se deve saber qual o objetivo, afinal pedir desconto para o ferreiro não é um desafio de pericias. Irei usar aqui um exemplo básico de desafio de pericias: “O grupo está persequindo um ladrão no meio da maior feira da cidade, ele é agil e conhece o terreno, apenas um teste de ‘Endurance’ não é o suficiente“… então começa o Desafio de Perícia!

Quando o objetivo está claro (pegar o ladrão em fuga), se decide qual o nível, e qual a “complexidade“. Supomos que este é um desafio de nível 3 (pode ser do nível do grupo, ou um pouco maior… ou menor…) na seqüência estou optando por uma complexidade média, ou seja complexidade 2!

O que isso significa? Que a experiência que esse desafio irá render aos jogadores é de nível 3 (igual a UM monstro de nível 3150 de XP), e com a complexidade 2, equivale ao dobro de experiência (ou seja 300!)

Em jogo isso implica em 6 sucessos, antes de 3 fracassos. (Na pagina 72 do DMG existe a tabela, lembrando que na última errata, foi modificado e na coluna “failure” de todos é 3)

Agora que sabemos o que faz cada coisa, temos que saber quais são as perícias primárias. Para este exemplo, irei usar: “Acrobatics“, “Atletics“, “Bluff“, “Endurance“, “Streetwise“.

Estas perícias primárias serão a “base“, onde o jogador pode usa-las sempre que precisar. Todas as outras perícias podem ainda ser usadas, mas somente uma vez nesse desafio, ou então com a permissão do mestre. Vale lembrar que não é apenas “rolar” o teste, deve-se colocar um “roleplay” do teste para assim ter algo interessante.

Abrobatics (Médio): Ao fazer uma cambalhota, o personagem passa por baixo de alguns carrinhos de feiras e assim chega um passo mais perto do ladrão.

Atletics (Difícil): Ao fazer um salto o personagem pula por cima de uma mesa, ou barril, assim chegando um passo mais perto.

Bluff (Médio): Você solta uma mentira das cabulosas, para tentar enganar o inimigo, isso não conta como uma falha nem como um sucesso… mas concede ao próximo teste (seja ele seu ou não) um bônus de +2.

Endurance (Fácil): Mantendo o fôlego e indo um pouco mais além, você tenta chegar mais perto do inimigo!

Streetwise (Médio): Você pega uma das vielas sinuosas da cidade assim evitando o tráfego de pessoas e chegando um passo afrente, mas ainda não o suficiente do inimigo.

Esses são alguns exemplos do que PODE acontecer, você mestre pode ainda colocar perigos, e alguns testes “obrigatórios” para todos os jogadores. As dificuldades dos testes seguem a tabela de dificuldades por nível do Dungeon Master Guide (p.42).

E por final, qual a consequência do Desaficio de Perícias, nesse caso, os personagens ganhando ou perdendo, irão chegar no ladrão, a diferença, é que se os personagens venceram o desafio, o ladrão estará sozinho, não irá fugir e irá falar/devolver o que os jogadores querem, no caso de uma falha, os jogadores serão encurralados pelo ladrão e seu grupo.

Este é um exemplo super básico de um desafio de perícias.

Para o jogo, essa mecânica não é novidade, afinal sempre tivemos testes e testes em cima da mesa, o que mudou é que agora recebemos XP por fazer esses testes em sequência, podemos ainda dizer que finalmente ter perícias vale a pena, e nessas situações sabemos que temos e porque escolhemos treinar algumas perícias!

Essa nova forma de receber XP sem precisar fazer um encontro combativo, mostra que o D&D está abrindo espaço para novas maneiras de evoluir, e para aqueles que diziam que o D&D era apenas “hack and slash” está aqui uma maneira de receber algum XP por simplismente “fazer uma boa interpretação“.

Os desafios de perícias ainda podem conter outros elementos, desde um teste de “Arcana” para poder realizar um teste de “História” na sequência, e assim obter mais de um sucesso. Ainda se pode fazer pequenos “quebra-cabeças” em forma de desafios de perícia.

Para manter a emoção em jogo, o mestre pode anunciar que está acontecendo um desafio de perícias, ou então manter o resultado das jogadas atrás de seu escudo.

A respeito da “mudança” nas erratas dos livros, e sobre a redução da dificuldade, eu penso que ela serviu para colocar QUALQUER personagem dentro de desafios e testes de perícias. Irei usar como referência um personagem de nível 1, e as dificuldades para um.

Um teste fácil tem a dificuldade de 5, ou seja mesmo um personagem não treinado pode fazer isso sem muitas dificuldades (mesmo com seus bônus de +1 ou +2), enquanto um personagem treinando, naturalmente saberá como fazer tal tarefa (somente com o bônus de treinamento).

Enquanto um teste médio tem a dificuldade de 10, ou seja um personagem não treinado saberá realizar com cerca de 60% de sucesso (estipulando que tenha +1 ou +2 na habilidade), mas um personagem treinado não terá grandes dificuldades, e terá de em torno de 85% de chance de sucesso (estipulando +3 ou +4, e o adicional de 5 por treinado).

E por final um teste difícil tem a dificuldade de 15, ou seja será completamente difícil para um personagem não treinado, e especulando um bônus de habilidade baixo (+1 ou +2) o personagem tem grandes chances de fracassar… enquanto um personagem treinado possui um valor médio (+3 ou +4… com um adicional de 5 por ser treinado… +8 e +9) terá uma chance de sucesso de aproximadamente 50%, então o teste não é completamente nulo, mas ainda é difícil.

A turma do At-Will tem feito um excelente trabalho nessa área, e o pessoal do Rolando20 está fazendo um trabalho muito bacana traduzindo esse material para o nosso idioma!

Espero que tenha ficado claro o que é um Desafio de Perícias, e aproveitem os desafios!

Lembrando que isso é meu ponto de vista a respeito dos Skill Challenges.

Cya

Ps.: Ei pessoal, finalmente coloquei o uso para aquele combo de Bluff do Tiefling!