Histórico da tag ‘game day’

De um extremo a outro

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Antes de qualquer coisa, desculpas por estar afastado, estou um pouco ocupado com as tarefas acadêmicas, e isso está removendo muito do meu tempo. Mas mesmo assim algo me chamou a atenção.

Uma postagem no Paragons, com um título simples, eu inclusive pensei que fosse mais do mesmo, mas é diferente, algo novo, a postagem era “Como o RPG salvou minha vida“. Após eu ler toda a matéria eu decidi que ainda não era o bastante e fui a fonte disso, o próprio blog do escritor e lí mais uma vez o texto somente para ter certeza que iria falar o correto.

E então me recordei de um fato, no mínimo interessante.

Apenas a “disposição” para jogar algo novo muda completamente toda a visão de uma pessoa, querer jogar e então realizar o feito de jogar é uma questão de mais que gosto, é uma questão de “querer”.

Comigo, no ultimo Game Day aconteceu o total extremo oposto, onde os jogadores foram forçados a ir jogar e não “queriam” o jogo, estavam apenas matando tempo e ganhando suas devidas vidas, cumprindo suas com a sociedade.

O que me leva a seguinte pergunta: “O que traz um jogador para uma mesa de RPG?”

Review do D&D Game Day

quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Cartaz do Evento

Cartaz do Evento

No último sábado aconteceu, aqui em Itajaí – SC o D&D Game Day em comemoração ao lançamento do Guia do Mestre. Como de praxe, os autores do Tomo 4ᵉ participaram como mestres em diversas mesas. Não há muito que eu possa falar sobre as experiências do Shin (que vocês podem conferir no post dele) e da Mandy, que parece ter sido fabulosa; mas posso fazer as considerações de minha parte.

Minha mesa parece ter sido a mais diversificada do evento: tive dois veteranos em D&D 4ᵉ, um dos quais joga comigo uma campanha nas segundas-feiras; outros dois jogadores vieram diretamente do D&D 3.5 sendo um deles totalmente desconhecido; e o quinto jogador (namorado de uma rpgista) foi convencido a fazer sua primeira experiência.

Os jogadores mais experientes assumiram as classes mais complexas: o Lâmina Arcana e o Artífice que possuem várias habilidades específicas; a jogadora optou pela halfling bárbara (ela adora personagens pequenas). O invocador foi escolhido pelo Joel (aquele que eu não conhecia) quando eu expliquei a classe como sendo um “mago com poderes divinos”. Por fim, o novato ficou com o guerreiro humano, a classe aparentemente mais simples.

Como a aventura foi criada por mim, pude deixar muito espaço para a interpretação; os jogadores tiveram tempo para se acostumar uns com os outros e fazer brincadeiras entre si. O Forjado Bélico era piada constante, seja no modo de dormir, em stand by ou ao copiar uma carta deixada por um mago da região. Para ajudar, o Dimitri (jogador) entrou no personagem e assumiu o papel tanto como líder como na resolução dos desafios arcanos que eu coloquei na aventura.

A trama se desenvolveu num vilarejo em que um culto sombrio se estabeleceu, seqüestrando vítimas fáceis; embora os personagens não tivessem idéia dos reais atores por trás do culto, sabiam que as vítimas jamais retornariam. Ouvindo rumores de que o mago da vila fora também levado, resolveram investigar sua torre e descobriram que o próprio mago fazia suas pesquisas sobre o culto.

A torre do mago foi um atrativo em si pois estava repleta de aspectos mágicos (um tapete/elevador, trancas mágicas e compartimentos extra-dimensionais) que mantiveram os personagens (e jogadores) entretidos por um longo tempo. Inseri aí também a idéia de um objeto mágico de minhas campanhas, algo como um cubo quebra-cabeça que quando aberto libera um pequeno objeto aí contido. Mesmo sem conseguir abrí-lo durante a aventura, ele atraiu a atenção dos jogadores.

Sérgio, lâmina-arcana, veterano de boa-vontade e ganhador do Guia do Mestre

Sérgio, lâmina-arcana, veterano de boa-vontade e ganhador do Guia do Mestre

De posse das informações do mago, os personagens investiram contra o refúgio do culto sombrio de Orcus (o símbolo da divindade estava presente nas anotações do mago). Sem preocupar-se com a furtividade adentraram o primeiro salão com tochas acesas e foram surpreendidos por um grupo de Shadar-kai.

A batalha foi extraordinária, e teve momentos memoráveis: mesmo cega por seus agressores, a bárbara recuperou-se a ponto de investir e derrubar três deles, elevando o ego da jogadora Daiane. Noutro momento, cercados e ameaçados, os personagens foram resgatados e teleportados pelo Invocador. Ao fim da batalha os personagens descobriram que os Shadar-kai foram enviados pela própria Rainha da Rapina para impedir o culto.

Sem muitas opções, resolveram terminar o serviço que o conflito anterior postergou. O culto trazia seguidores de Orcus e um morto-vivo guardião, que foi logo imobilizado e derrubado pelo artífice de Dimitri e o lâmina-arcana de Sérgio. Mas não pense que só os jogadores experientes se fizeram estrela, Carlos interpretando o guerreiro fez ótima atuação empurrando os seguidores para a parte acidentada do terreno, tirando-os rapidamente de combate. Fato esse que inspirou o Sérgio a adquirir novos poderes para seu guerreiro na campanha de segunda-feira!

Por fim, certos da vitória ainda puderam comemorar a derrota do líder do culto, cercado pelos aventureiros. Os jogadores levaram ainda miniaturas e fichas de personagens (muito bonitas por sinal) como brindes para casa, e o Sérgio foi sorteado com um Guia do Jogador novíssimo enviado pela Devir.

Se a mesa do Shin foi um fiasco, a minha foi um sucesso. E deixou claro que, em eventos de RPG a interação entre as pessoas e a boa vontade é que fazem a diferença. No dia de lançamento do Guia do Mestre o mérito pelo sucesso do evento é todo dos jogadores.

Quem quer jogar?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Bem,

Nesse final de semana ocorreu o terceiro Game Day do ano, marcando a chegada do Dungeon Master Guide II (em inglês) e o Guia do Mestre (em português), e sua celebração é sempre com uma boa dose de roleplay e muitos monstros!

Mas, esse Game Day foi um pouco diferente para mim, irei aqui colocar minha experiência, como sempre faço, a respeito do dia, com uma visão geral de como foi minha mesa.

Um dos grandes motivos pelo qual eu gosto de estar em meio a eventos, é a quantidade de pessoas que tenho para conhecer, conversar e estar presente, narrar uma aventura é somente parte da brincadeira, mas quanto os jogadores não conhecem ou mesmo gosta do RPG, o que fazer?

Foi isso que aconteceu, sentei em minha mesa, os jogadores sentaram ao redor, e a primeira coisa que se deve perguntar é: “Você já jogou RPG antes?”, diante dessa pergunta, todos responderam, “Não”, e eu pensei “Ótimos, mais novatos!!!”.

Eu particularmente gosto de estar entre os jogadores novatos, pois geralmente dão boas idéias, gostam de interpretar e principalmente, não tem vícios de interpretação, coisa que muito acontece com os veteranos.

Entretanto, à medida que ia explicando o que é um jogo de interpretação um dos rapazes já me responde com um tom não muito animador: “Eu não gosto de jogos, não gosto desse tipo de coisa…

Nesse momento eu já percebi que seria um dia difícil, mas mesmo assim; não me deixo por abalar e continuo a explicação e então começo a narrativa. Os jogadores começaram então a brincadeira.

Dois deles realmente estavam interessados na brincadeira, e continuaram a jogar de maneira interessante, mas como é dito, três deles começaram a fazer o contrario e então, a coisa desandou.

Deixei-os livres, usei somente as regras base (“Role 1d20 e adicione qualquer coisa…”) e mantive o jogo de maneira a evitar regras densas, apenas para incentivar o jogo, guardando o resto das regras para quando a coisa fosse mais séria.

E novamente bombardeado por comentários como “Que jogo chato!”, entretanto o comentário é da mesma pessoa que “não gosta desse tipo de jogo”.

O que me leva ao seguinte dilema, realmente RPG é um jogo de nicho? Somente algumas pessoas podem jogar? Ele é um jogo para “elite”? (Quando me refiro a elite, uso a conotação de que é um jogo voltado para um publico fechado)

O que pude perceber é que RPG é um jogo que não pode ser obrigado a jogar, e as pessoas que participam, jogam de maneira livre; estão na brincadeira por quererem estar brincando de um jogo interpretativo.

E os meus jogadores, apesar de dois estarem querendo a brincadeira, três estavam por obrigação com a sociedade, e não por gostarem da brincadeira, o que retratou essa realidade para mim.

De qualquer maneira a aventura continua!

Cya,

Nesse final de semana ocorreu o terceiro Game Day do ano, marcando a chegada do Dungeon Máster Guida II (em inglês) e o Guia do Mestre (em português), e sua celebração é sempre com uma boa dose de roleplay e muitos monstros!

Mas, esse Game Day foi um pouco diferente para mim, irei aqui colocar minha experiência, como sempre faço, a respeito do dia, com uma visão geral de como foi minha mesa.

Um dos grandes motivos pelo qual eu gosto de estar em meio a eventos, é a quantidade de pessoas que tenho para conhecer, conversar e estar presente, narrar uma aventura é somente parte da brincadeira, mas quanto os jogadores não conhecem ou mesmo gosta do RPG, o que fazer?

Foi isso que aconteceu, sentei em minha mesa, os jogadores sentarão ao redor, e a primeira coisa que se deve perguntar é: “Você já jogou RPG antes?”, diante dessa pergunta, todos responderam, “Não”, e eu pensei “Ótimos, mais novatos!!!”.

Eu particularmente gosto de estar entre os jogadores novatos, pois geralmente dão boas idéias, gostam de interpretar e principalmente, não tem vícios de interpretação, coisa que muito acontece com os veteranos.

Entretanto, à medida que ia explicando o que é um jogo de interpretação um dos rapazes já me responde com um tom não muito animador: “Eu não gosto de jogos, não gosto desse tipo de coisa…

Nesse momento eu já percebi que seria um dia difícil, mas mesmo assim; não me deixo por abalar e continuo a explicação e então começo a narrativa. Os jogadores começam então a brincadeira.

Dois deles realmente estavam interessados na brincadeira, e continuaram a jogar de maneira interessante, mas como é dito, três deles começaram a fazer o contrario e então, a coisa desandou.

Deixei-os livres, usei somente as regras base (“Role 1d20 e adicione qualquer coisa…”) e mantive o jogo de maneira a evitar regras densas, apenas para incentivar o jogo, guardando o resto das regras para quando a coisa fosse mais séria.

E novamente bombardeado por comentários como “Que jogo chato!”, entretanto o comentário é da mesma pessoa que “não gosta desse tipo de jogo”.

O que me leva ao seguinte dilema, realmente RPG é um jogo de nicho? Somente algumas pessoas podem jogar? Ele é um jogo para “elite”? (Quando me refiro a elite, uso a conotação de que é um jogo voltado para um publico fechado)

O que pude perceber é que RPG é um jogo que não pode ser obrigado a jogar, e as pessoas que participam, jogam de maneira livre; estão na brincadeira por quererem estar brincando de um jogo interpretativo.

E os meus jogadores, apesar de dois estarem querendo a brincadeira, três estavam por obrigação com a sociedade, e não por gostarem da brincadeira, o que retratou essa realidade para mim.

De qualquer maneira a aventura continua!

Cya