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Personagens Ausentes e NPCs

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Uma das boas práticas de jogo citada no Livro do Mestre que eu já adoto há muito tempo é a ausência de NPCs como protagonistas da campanha; explico: os jogadores sentem-se inferiorizados quando aquele cavaleiro de 20° aparece e, com um só golpe, destrói todo o exército orc que os personagens esforçaram-se tanto por conter.

Também é chato quando, em meio a um combate ou outra situação de tensão o Mestre adquire a responsabilidade por basicamente todas as rolagens. Além de todos os monstros inimigos, ele ainda rola pelo NPC aliado que, muitas vezes por seu nível ou apreciação do Mestre, torna-se o herói da aventura. Dessa forma, o uso de NPCs junto aos jogadores deve ser evitado.

Mas até que ponto?

No D&D 4e, temos quatro diferentes funções de personagem: agressor, controlador, defensor e líder; cada qual com suas capacidades para tornar o grupo equilibrado. Caso um dos jogadores falte ou nenhum deles abilite-se por jogar numa determinada função, o que deve fazer o Mestre?

Certa vez jogávamos uma aventura onde os personagens deveriam livrar um bosque encantado da incursão de um grupo de orcs. Na segunda seção de jogo o personagem do clérigo estava ausente e, sendo o único líder apto, desfalcaria o grupo severamente. No primeiro encontro da seção, inseri um unicórnio cativo que, assim que libertado pelos jogadores passou a acompanhá-los pelo restante do dia.

Foi uma alternativa simples: o unicórnio é um escaramuçador (líder) de 7° nível – o mesmo que os jogadores – e possui uma aura que fornece bônus de +2 nas defesas dos personagens. Dessa forma a criatura fortaleceu os defensores no campo de batalha e, quando necessário utilizava o toque de seu chifre para permitir aos personagens curarem alguns pontos de vida.

É importante que o Mestre tenha a consciência de que esta criatura é um estepe, e sua atuação na aventura não deve ser mais efetiva que o personagem real: o unicórnio por exemplo, não tinha os poderes à distância e de exconjurar do clérigo, e no momento que estes foram necessários o grupo sentiu a ausência do jogador.

Se fosse o ladino do grupo a faltar, eu usaria um Sátiro Rake em seu lugar, e no caso do guerreiro eu escolheria um Cavaleiro Eladrin (ambos de 7° nível). Para escolher um substituto apto, basta conferir a listagem de criaturas por nível e função no final do Livro dos Monstros:

  • Espreitadores e escaramuçadores podem ser usados como Agressores;
  • Soldados e brutos como Defensores; e
  • Líderes e controladores têm papéis semelhantes entre os monstros.

Caso a presença do NPC seja necessária por muito tempo (mais do que uma única seção de jogo), opte por criaturas do tipo Elite ou acrescente um dos templates existentes no Livro do Mestre (pg. 176) para que o substituto possa suportar mais combates. Temos que considerar afinal que a maioria dos monstros não possui pulsos de cura e outras capacidades regenerativas.

É importante que os jogadores tenham a opção de recusar a ajuda extra; afinal eles são os protagonistas da aventura. Dessa forma eles terão encontros mais difíceis e serão recompensados com pontos de experiência extras.